Pesquisa
Conhecimento, Cidadania e Estupidez
TRILHA DAS IDÉIAS
PÁGINA INICIAL
CONTROLADORIA
CONSULTORIA
TREINAMENTO
PALESTRA, SEMINÁRIO
PESQUISA
NOSSA REDE
CONTATE-NOS

 
O conhecimento humano desde o Renascimento propagado a partir da França do século XVII para toda a sociedade ocidental, manteve por séculos seu caráter geral e cosmopolita, propiciando desenvolvimentos fundamentais como a psicanálise, relatividade e da própria ciência, que resguardavam uma proximidade com o espírito crítico desenvolvido pela filosofia, fosse dos clássicos gregos fosse dos contemporâneos do movimento renascentista. O século XX, sobretudo em sua segunda metade, trouxe por sua vez - sob os efeitos da revolução industrial e da gama de invenções herdadas dos séculos anteriores aliada ao desenvolvimento tecnológico estonteante exigido pela competição econômica e pelas respectivas relações humanas dela decorrentes - um conhecimento voltado para a atividade profissional, dando lugar à chamada tecnocracia.

Em meio a este desenvolvimento e participando ativamente dele, a humanidade viveu duas guerras mundiais, marcadas, em especial a segunda, de um forte sentimento nacionalista e problemas raciais, que ainda hoje detonam conflitos entre países e manifestações antiimigrantista por parte dos partidos políticos. Um artigo da revista Fortune de dezembro/98, apresentou um fenômeno nos países europeus, que diferentemente da América não estavam acostumados a verem-se como países de imigrantes. Hoje, diz o artigo, a verdade é que muitos deles são, pois há 20 milhões de residentes nos países da União Européia que são estrangeiros ou nascidos de estrangeiros. Este fenômeno tem mudado a cara da Europa e de sua força de trabalho.

A verdade é que, na condição de turistas, todos são sempre bem vindos a qualquer lugar, já que se trata de um interesse econômico, como aliás é a globalização tão apregoada na atualidade. Não se trata de ampliar o conhecimento e o desenvolvimento humano através de uma convivência pacífica de diferentes culturas. A globalização reduz-se à economia e o conhecimento trocado, à técnica.

Há alguns dias, um amigo após descrever-me sua viagem de férias à Europa, disse-me: "Há dois caminhos para o auto desenvolvimento, o conhecimento e a experiência. Em minha viagem eu tive a experiência que mais me fez crescer até agora." Imagine como seria poder viver em diferentes lugares. A pergunta que me faço é esta: por que as pessoas não podem se ver como cidadãs do mundo e compartilhar o conhecimento que as desenvolva de fato, concorrendo talvez para um crescimento qualitativo das relações humanas, que agregaria efetivamente um novo valor ao mundo? Esta sim seria a meu ver, a globalização desejável. Não se trata da igualdade de todos, é bom que se esclareça e sim do convívio pacífico das desigualdades. Não é necessário que as diferenças sejam violentas. Não consigo, por exemplo, ver finalmente em ter opiniões senão para trocá-las.

A batalha real apenas começou, como diz a Banda U2 numa de suas músicas, mas para mim, ela não é contra os fumantes, os estrangeiros, os de outra cor, os homossexuais, os que não professam a mesma fé ou moda que nós. Ela é por outro lado, contra todas as formas de estupidez humana, representada pelo egoísmo, mesquinhez, individualismo ganancioso e a xenofobia exacerbada que diminuem o conhecimento e inibem o desenrolar de uma cidadania global.

 

CRÉDITOS